Google Glass na Perspectiva de um Desenvolvedor

Sou usuário de Google Glass desde 2014 (cerca de 3 anos) e quando adquiri meu primeiro exemplar, entendi como se sentiram os primeiros fãs da Apple que que compraram o iPhone em 2007. Foi uma sensação de que eu era um dos primeiros que eu conhecia a experimentar um pedacinho do futuro.

Foi assim que surgiu a Media Glass. Foi desbravando aquela nova e promissora plataforma que eu fui dando início nesta que viria se tornar a primeira empresa do Brasil de aplicativos para Smart Glass (Óculos Inteligentes).

Logo percebi dois grandes desafios que eu teria pela frente: o primeiro técnico, porque se tratava de uma plataforma nova, portanto com pouca documentação disponível na internet e uma comunidade ainda muito pouco desenvolvida. O segundo comercial, porque ainda era uma plataforma pouco conhecida, o que exigiria muito poder de argumentação e didática nas abordagens comerciais.

No entanto, com o tempo fui aprendendo a utilizar o potencial daquela nova e incrível tecnologia ao meu favor e fui cada vez mais aprendendo descobrindo tudo o que o Google Glass podia fazer. Segue aqui o que eu aprendi:

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O Google Glass chama atenção

Isso é um fato, o Google Glass chama atenção em qualquer lugar que você vai. Seja porque as pessoas querem usar ou porque não sabem o que é. Em minhas primeiras reuniões para apresentar a Media Glass no final de 2014, em geral todos os integrantes da reunião queriam experimentar a novidade, tirar selfies e se exibir para os colegas de trabalho utilizando o Glass. Até hoje isso acontece, mesmo agora que os Smart Glass já estão mais difundidos no mercado.

Glass desvia MENOS a atenção do que um celular

Isso parece ser um contrassenso. Afinal, usando o Glass temos uma tela bem diante dos nossos olhos. Como pode nos tirar menos a atenção do que um celular?

Por três motivos simples: O primeiro é que ele não fica exatamente na frente dos nossos olhos, ele foi desenhado para se posicionar levemente acima. Dessa forma, quando olhamos para frente até esquecemos que estamos usando o Glass.

O segundo é que a maioria das aplicações do Glass exigem menos tempo de engajamento do que aplicações para celular. Normalmente são aplicações que vamos utilizar para consultar informações rápidas, ao invés de ficar dando scroll em uma extensa timeline de rede social por exemplo.

Em terceiro lugar porque as notificações no celular nos chamam muita atenção. Quando recebemos uma notificação no celular normalmente desviamos o olhar para ver o que é, mesmo quando estamos fazendo alguma coisa importante ou falando com outra pessoa. No Glass as notificações não são “invasivas”, elas aparecem na timeline do device junto com o restante do conteúdo.

Algumas operações são mais práticas do que o celular

Temos que reconhecer, algumas ações são chatas e trabalhosas no celular. No Glass você pode tirar fotos, gravar vídeos e até compartilhar utilizando apenas comandos de voz.

Ele é uma extensão do celular, não um substituto

O Glass pode trabalhar pareado via bluetooth com o seu celular e isso pode trazer várias facilidades, como realizar e atender chamadas sem nem precisar tirar o celular do bolso. Basta falar para o glass: “OK Glass, call <nome da pessoa>” que ele já liga ou então “OK Glass, answer call” que ele já atende e você fala normalmente via Glass como se estivesse falando diretamente no celular.

Você também pode acessar seus e-mails e enviar ou responder SMS ou mensagem de texto utilizando apenas a voz. É o ideal para mensagens curtas. Infelizmente a digitação via voz só está disponível em inglês.

Você precisa da GDK para programar para ele

Como trata-se da perspectiva de um desenvolvedor sobre o Glass, não posso deixar de falar da parte técnica da coisa.

O Sistema Operacional do Glass é uma versão modificada do Android 4.4 (Kit Kat) e para programar para ele você precisa utilizar a GDK, que é a SDK específica do Glass. Ela pode ser instalada via Android SDK Manager no Android Studio.

O reconhecimento de voz deveria estar disponível para outros idiomas

Infelizmente o reconhecimento de voz só funciona para o idioma em inglês por enquanto.

O reconhecimento de voz é limitado em modo off-line

A feature de reconhecimento de voz é limitada. Quando desenvolvemos um app só podemos utilizar os comandos de voz padrões disponibilizados pelo Google. Para criar um comando específico para a nossa aplicação, temos que submetê-lo para aprovação do Google e criação para o padrão de voz.

O Glass, porém, é capaz de receber palavras aleatórias que não estão associadas à um comando específico. Isso pode ser utilizado para a digitação de texto utilizando voz. Mas para isso é necessário estar conectado à internet, uma vez que o Glass precisa consultar uma base de dados de palavras em inglês. Em modo off-line só é possível utilizar os comandos pré-definidos mesmo.


Gostou da nossa análise sobre o Google Glass? Então fica por aqui no nosso blog e dá uma olhadinha nos outros posts que temos sobre Wearable Computing.

Quer bater um papo sobre o assunto? Envia um e-mail para contato@mediaglass.com.br

Flávio França é CEO e fundador da Media Glass, a pioneira no Brasil em aplicativos para Tecnologias Vestíveis. Flávio é também um dos primeiros Google Glass Explorers do Brasil e é palestrante em eventos de empreendedorismo e inovação.


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